segunda-feira, 8 de abril de 2013

Neguei...





O cigarro apagou,
e pagou a dívida do fumo...

O fumo que não fumei,
a dívida que não paguei.
A esmola que ganhei,
o prêmio que neguei.


E neguei a mim,
esqueci o que vi,
esqueci que vivi,
aprendi o que esqueci...
Inexisto...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Verme...




Dizem que sou um verme, e estou à espreita de existir pacificamente comigo mesmo.
À espreita de tornar suportável o convívio com minhas intempéries.
É uma voz que fala, não faça, não cale, não grite, não pense,
e outra que surge imperando o grito, a ação, a voz, o pensamento.
E minha existência parece maculada...

Sou apenas um verme que existe, e ama o ser romântico..
Apegado a rebeldia repleta de atitude, rebeldia consciente, madura...
E o rock é minha marca, nele meus desabafos, vitória contra o stress....





Existo não apenas por existir, existo como um verme que sente a dor por existir.
Que meus passos sejam completos, repletos da decência impura e da indecência santa.
Existo e promovo qualidade à minha essência.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Absurdo...



Pensei...
Pari uma idéia.
A idéia me matou!
Matei a sapiência com o café que tava quente e esfriou.
...e nos minutos que foram vividos,
o que era torpe virou moda.
Senti prazer com a catinga da axila,
e não queria essa porra próximo de minhas narinas.



Fui!!
Que idéia é essa que me faz parecer um rabugento?
Não preciso do leite, apenas uma cerveja gelada, um bom poema e o paradoxo de minha existência...
Não me permito sofrer com o meu descompasso.

Penso, existo! Sou um absurdo! 



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cansaço



Há um cansaço no cosmo.
Há um cansaço na alma.
Há um cansaço no sonho.
Há um cansaço na fala.
Há um cansaço na sarjeta.
Há um cansaço na beleza.
Há um cansaço no riso.
Há um cansaço no sorriso.
Há um cansaço no fardo.
Há um cansaço no pecado.
                                                                    Há um cansaço na prosa.
                                                     Há um cansaço na corça.
                                        Há um cansaço no homem.
                          Há um cansaço na saudade.
             Há um cansaço no lobisomem.
Há um cansaço na idade.

Há um cansaço no poeta?



Desperta,
              tu
                  que
                        dormes.”







escrito em 15/01/2003

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Trepanação Sentimental

Penso em você,
vem felicidade.
Imiscuo o contentamento
que aprofunda o sentimento,
concedendo o dínamo, que não é exíguo!

Penso em você,
pensamento trepana.
A incontida emoção,
regurgita o anseio da satisfeita sincronia,
que inocula o encanto da harmonia.



 


Penso em você,
na orvalhada sentimental,
inominado a querência ora pavoneada,
perfura o atributo significante,
da dedicação absoluta do meu ser amante!

Penso em você!
Trepanação de sentimentos, mais alto e extremo.
Repleto de coragem para um bradar longínquo.
No exagero sibilar do olhar expressivo.
Na admiração reinante do amor que ora vivo.

Rinalme Emiliano de Lima Bezerra
26/04/2005

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Fétido...



É fétido ser?
Ser é fétido?


O fundamento do ser é fétido quando...
... é fétido fundamentar-se no que não é...
... é fétido sacralizar o que é fétido.
... é fétido a mentira, a corrupção, o desamor e imaginar ser inodoro o que é fétido.


É o sentido cru que anseio, para fundamentar em agradável odor o que é fétido em mim.
Não isolação, mas comunhão...
e um rock true, cru, capaz de elevar minha devoção à pureza Divinal.
Não insolente, todavia postulante do que é eterno.
... e que permaneça fétido apenas o que deve continuar migrando à corrupta putrefação.








quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sonho...


Miro-te nua...
tua pele, teu sabor, tua ignomínia...

é um sonho assíduo, tesudo e um pouco raquítico...
não viso imiscuir o meu porão.
Só quero café quente,
pois não sei onde está o céu...
Talvez numa colher suja, em papel higiênico ou quem sabe na dentadura gasta?

Te vi nua, porém não quis experimentar o tesão.
Tive vergonha e acendi o fósforo e descobri que não havia segredo,
somente o degredo de saber que eras apenas uma estátua.

domingo, 8 de julho de 2012

Proscrito






Nada proscrito...
Vai incluso no soneto funéreo
Meu sono e intelecto.


Brinco e faço pausas em meus pensamentos,
que etéreos como os desejos impuros,
trazem fugaz a sapiente ignorância.


Tu, estás nua para inundar-me da ignomínia de meu pecado?
Foge de mim. Fujo de mim.






Mês do Rock - Christ Rock - Um programa para mudar conceitos


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pária
























No dia em que a existência parecer sutil, irei parir meu ideal rumo a insignificância.
É a falsidade que odeio, como pigarro no meu peito.
Não amo o escarro, miro a infelicidade à minha espreita.


Miro a lua, e ela me surpreende, me fornece encanto...
e não desencanto minha tristeza, minha amiga depressão.


Sou tão triste como um epitáfio e tão alegre quanto um sorriso infantil.


Luz que fascina, a falta dela me regozija e ilumina.
Meus ideais parecem um parto feio, sem vida cheio de rancor...
E  não sou assim, é apenas a confusão que preenche...


A existência não é sutil, e ainda assim é tão simplória quanto a árvore, o rochedo, a borboleta...


Qual encanto louco que amei, e aos beijos naveguei!
Qual mordaça prende minha voz?
Teu sorriso me macula...
Não irei parir meu ideal rumo a insignificância.

Sai como escarro, pigarro, catarro...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nas margens...




Estou nas minhas margens. Margens e meus limites.
Marginado pelas intempéries e pretéritos anômalos.
É o que me muda e me torna mais eu.
Apto a ser o que sou, a mudar quando preciso de mim mesmo...
O que antecede minha metamorfose?
É o que me identifica, me jubila, me dá a melancolia amiga.




 


Se corro, mantenho os pés cautos.
Se habito, é em mim que me identifico.
E para habitar em mim mesmo, preciso da loucura e do estereótipo.

Transformar contradição em virtude, e virtude em maldição.


Caminho nas margens e existo tão profundo, quão profundo é o fundo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Orgasmo vernacular

Palavra...
mais do que ela mesma.
mais do que seu significado.
mais do que sua dignidade.


Não se encerra em si mesma.
É mais do que sexo,
do que a fome e a própria grafia.


Palavra...
mata e rejuvenesce, ressuscita e envelhece!









  
Palavra...
a que me falta,
a que me entorpece.
Me enlouquece...
num papel se prostitui, e quando tento compreender sua vazão de prazer,
sinto bucólica grafia preencher os espaços vagos da alma.


O orgasmo da palavra...
É silêncio...
É grito...
É ardor...
É timidez...
É flor...
É cachoeira...


E a palavra faz a porra do café transbordar...
Palavra que rima com meretriz e puta, com santa e freira.


Palavra do altar, palavra do bar...


Palavras são palavras.
Grandes e pequenas em si mesmas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Reinvenção...






















Reinvento a mesquinhez...
Reinvento a lucidez...
Reinvento a estupidez...
Reinvento a cortesia...
Reinvento a alegria...
Reinvento a paixão...
Reinvento o coração...


Mas não sei reinventar meu verso.
Preciso de um garfo e de uma máscara.
Um prato, um papel ainda que seja o higiênico...


Reinvento a loucura, a candura, a amargura.
E não sei reinventar o amor...
Ele apenas existe.

Cadê a porra do catarro?
Eu não quero ele em minha xícara...
Quero apenas reinventar minha mudez!!!


E o café quente que vou beber, não tá requentado.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Simplório...

























Não sou raro,
sou excesso,
sou prisão.


Sou calor,
sou diversão.


A morte que surge,
a vida que vem.
O morcego que ruge,
o leão que voa.


Sou exceção,
espécie abominada,
elemento sem noção.


Poeta vivo,
morto na igualdade,
sobrevivendo na diversidade.


E as palavras saem soltas, libertas...
Quem quer café?