segunda-feira, 23 de maio de 2011

Misantropo...






















Não fui, nada consegui e aqui fiquei.

Tão simples como um vagalume.
Tão complexo como o ódio humano.


Não sou misantropo. Tampouco um pária.
Amo a solidão e a solidão me convida a ser seu amigo.


Solidão nas rosas negras,
solidão na raposa à espreita.
Solidão na meretriz noturna,
solidão na freira silenciosa.


E a morte me convidou a ser solitário,
e não aceitei pois uma companhia estava procurando.
E solitário não viveria, sem o amor daquela que meu coração queria.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Maldito...






















Porque escrever o que não será lido?

Porque ler o que não é escrito?
Uma indumentária que não combina com a alma.
Uma forma de gritar, mesmo que não seja ouvido.

Estive a espera de teu sorriso e recebi o escarro como recompensa.
Recompensa?!!! O que fiz pra merecer essa soberba?
Porque escrever o que não será lido?
Os sinos dobram e ninguém quer escutar.
Os sinos chamam e ninguém quer atender.

Estou lendo palavras inexprimíveis, e elas não chegam a ninguém.
Estou de atalaia e o momento oportuno, arranca de meu peito o tormento soturno.
Encontro a amiga morte, que apetece meus ouvidos com a idéia fatídica.

Porque escrever o que ninguém quer ler?
Porque exprimir versos para um público sarcástico?
Amiga morte, diga se sou mau dito.
Me revele o que é ser maldito.
E neste flagelo que experimento, dá-me o singelo amplexo, e retira de mim o odor das flores que vão enfeitar meu jazigo!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Lúcido...




















O pensamento que tive, feriu minha lucidez.
E o momento de empatia, machucou minha simpatia.
É uma tristeza que livremente expõe seu vício.
Vício da derrota, do amor e da amargura.

Os pássaros voam na direção exata,
e meu esforço hercúleo não me enobrece a firmeza.
Os sinos já não movimentam o badalo,
e a riqueza que tinha foi furtada como um leme sem capitão.

É a tristeza que assombra, embora não pareça ser minha companhia.
É teu amor que preciso para preencher o vão da vacuidade.
É teu amor que anseio para alegrar meus dias fúnebres.
É a porra do teu amor que enlouquece meus sentidos.

Ao contrário que muitos pensam, minha loucura permanece imaculada, cheia de esperança, vaidosa e plena de lucidez estupenda.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Prepotência...


















Virá o dia em que não falarei nada,
e nada direi, pois não mais existirei.
E os que chorarem minha inexistência,
não vão sentir a dissabor de minha prepotência.

Minha sapiência pavoneada nas palavras, olhares e nos atos auspiciosos.
Sei que sou pó, e minha inexistência me leva ao pó.
E ainda assim trago à mente minha história...

Fracassos, tristezas, lamentações, unidas as alegrias, gozos, vitórias...
Amigos deixo, amigos que criei e que nunca esquecerei.

Onde está os traços que marcaram meus passos?
Onde se encontra a verdade que libertou meu olhar?
Quem me dera gozar da humildade, tributada pela simplicidade!

Dá-me o gládio, a palavra e o castigo que mereço.
E concede-me somente paz e tranquilidade no meu vil parto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sem encanto...




















Esperando estava, esperando esperei.

E a porra do catarro que engoli, provocou uma repugnância igual a tua discrepância.
Estive em Paris, em Paris estarei.
O pária que falou comigo, me deixou tão só, que nem comigo mesmo consegui ficar.

Vi, morri, pequei e magoei
e nada me satisfez quando errante caminhei.
Em estradas pisei e nos sonhos enfim a encontrei.

Quando bradei tua presença, clamei por teu sorriso.
Só não rastejei, a fim de que minha existência não reflita a demência que macula a inocência.
E junto a mim, percebi o odor funéreo.
Nele não houve encanto,

pois ainda não é o momento para o fatídico tormento.

É o tempo da harmonia dar o amplexo à minha tristeza.

E corroborar como paradoxo esquizofrênico, que só encontra regozijo com a própria sapiência.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Amor e perfeição














Autor de minha miséria,
reconheço a minha cobra peçonhenta.
E o medo que me invade
faz-me urrar a dor de não possuir o amor em tua pureza.

Quando teu amor vai chegar?
Quando os sinos vão dobrar a tua chegada?
E sigo na esperança de recuperar o que perdi.

Macabra é minha estratégia,
de não tirar da alma a marca grudenta.
E a vida se transforma em saudade.
Saudade do sorriso, que para minhas trevas, ilumina e concede certeza.

Medo e insubordinação,
coragem e submissão.
O paradoxo que macula o sentimento.

A pressa que vive meu coração,
é pela presença da primavera,
que traz a paz junto com minha prima Vera.
O que vive sem pressa,
é o sentimento que nunca padece,
que afugenta ilusão,
pois a esperança é que o futuro recomeça.
E um dia haverá amor e perfeição.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mais próximo de mim...






























Pra sair de mim,

e não estar mais dentro de mim.
Inculto, etéreo...
Crio meu pseudônimo,
para fugir de mim mesmo
e me enxergar parecido com aquilo que sou.

Pois além do que há em mim,
trevas, escuridão, soberba, rouquidão.
Alegria, harmonia, regozijo, paraíso.
E meu jardim sem flor, com estrume, com capim.

Para sair de mim,
e estar mais próximo de mim.
Crio meu pseudônimo,
e encontro meu semblante impuro.
Tão brilhante como a luz que não improvisa.

Estou aqui,
e não estou mais aqui.

São meus minutos arrancados, roubados.
E a desarmonia de minhas horas,
se transformam em segundos harmônicos.

Para sair de mim,
e estar mais próximo de mim.

terça-feira, 29 de março de 2011

Minha morte...
















Muitos esperam minha morte,

e minha morte é que muitos suspiram.

E o suspiro da padaria caiu na privada,
e na privada a lágrima falsa,
falsa como a morte que me espera sentada.


Vai enfezada, porque minha morte enluta o mendigo,
a meretriz que chora pelo dinheiro não mais recebido.
A lágrima verdadeira do cão que companheiro foi,
quando estava a vomitar e escarrar minhas lembranças.




Muitos esperam minha morte,

e minha morte é o que mais espero.
Às vezes, o que menos espero...
porém o que atiça a curiosidade, a libertinagem, vagabundagem,
é minha morte, verdadeira sorte dentro dessa mazela cotidiana.

Vem porra, meu caixão já tá cheiroso igual sabão de barbeiro.
As flores que tive acesso, são de plástico!
Assim como o amor que tu me deste,
era pouco e nada restou...
Falsa tua lágrima, e verdadeira minha morte!

Infortúnio?!

Em momento algum.
A sorte agora é minha amiga,
dela faço rotina e a ode vespertina...
minha morte agrega festa, tesão e tensão.

Muitos esperam minha morte, todavia quem mais espera ela, sou eu!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pária...
















Com parcimônia conserva a tristeza,

junto com a beleza da alma clara, iluminada e cheia de lágrimas.
A vocação foi e esgotou o insípido sabor de tua palavra.

Degusta o fermento da voz colaborativa,
e deixa a idéia contemporânea requalificar o aroma inodoro.
O coração cheio, permitiu transbordar o semên que originou tua vida.


E todas as coisas estão como elas devem estar.
A forma decadente, nada possui de caliente,
e oferecido à meretriz tua visão mais nobre, a fim de que não te orgulhes de tua existência.


Existe qual átomo, neurônio... bactéria, vírus mortal...

Tua ciência não te dá cognição devida, reação natural, imaginação real.
És um pária, nada mais que um pária, parido de uma puta.

terça-feira, 22 de março de 2011

Pra Fora...














Aqui encontra-se a índole perdida.
O amor desfeito, a poesia dadaísta.
E tua dúvida, assombra a mais pura pergunta.
Quando irás galgar os degraus eternos?

Aqui encontra-se a porra da xícara vazia.
O vaso sanitário com tua merda voraz.
E teu pensamento tolo, macula o simples sorriso.
Em que momento despirá tua alma impura?

Não permita que a lágrima verta dos olhos limpos.
Limpos, por nunca terem visto tua ignomínia.
Nunca terem visto a pútrida marca de tua demência.

Até quando as indumentárias estarão sujas?
Esperam o labor que outrora desejaste?
Ou, a hipocrisia reina na tua face ardilosa?


Dize-me apenas que nunca mais irei te ver, sentir teu hálito cálido.
Não quero mais!
Não me aproximo mais!
Vai com tua alma ardilosa, soltar o urro pela derrota hoje vivida.

Se este momento,
igual tormento,
arranca um sentimento.


Agarro a alegoria,
pois não tenho correria,
para viver a alegria.

terça-feira, 15 de março de 2011

Pungente...











O tempo dado, tempo ofertado.
Ciclo inacabado, ciclo inovado.
Sexo bem feito, sexo mal feito.
E a porra do café tá muito quente!

Não ouço e vejo o patrocínio dessa merda.
Há tempo quis falar e não consegui,
a mordaça que criei, faz presente quando titubeio.


E agora anelo por teu amplexo,
tua nudez rasgando minha indumentária,
e o prazer ora violento, enaltecendo o dissabor.



Onde está a virtude perdida nas intempéries frívolas?
E essa tua voz rouca, com teu bafo podre que me faz repugnar.
Tenho o desiderato pungente do crescimento insigne.
É latente que meu cheiro, te convida ao prazer.
O que ora parece perdido, encontrado está nas flores que ornamentam o jardim...
Na libélula, beija-flor, borboleta que suavemente me ensinam a contemplar.


Aqui está meu coração, preparando-se para oblação,
segurando num caixão, escondido igual cobra coral.
E a mortalha que está no chão,
não será usada agora, pois a morte pediu licença quando minha flatulência invadiu sua via nasal.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Negação.















Se o tédio que estou vivendo enobrece meu sarcasmo.
Arroto o vernáculo que não quero dizer.
E teu mau hálito me faz repugnar tua presença.

Saia de mim, apenas quero minha cerveja,
para distrair meus hábitos, a frigidez cálida que outrora se aproximou
e negou minha vontade de enlouquecer o sentido.

Sou pássaro livre em vôo noturno.
Sou a tempestade que castiga as plantas
Sou a brisa que afaga teu rosto.


O dualismo crônico de quem não ajoelha pra pedir
perdão.
E prestes a machucar o desejo de quem ama com o coração,
pedindo remédio, suplicando atenção.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oblata Sedução

















Que pensamento tolo enfadonha o corpo?

Sempre esteve ali, sempre está aqui.
E a distância que estou de mim mesmo,
obscurece a sacra cognoscência viril.

Estou liberto ou preso nos grilhões de meus pensamentos.
Tão lúgubres, tão medonhos, tão enfadonho.
O amor que oblei, foi vomitado, como um caldo sanguíneo,
hemoptise de uma tuberculose espiritual.


Agora tu se aproxima!
Teu coração arde por amor,
e o amor que te dei fizeste pouco.
Um pus e catarro mais valor deste,
do que a dedicação ora regurgitada.


Vem tomar café quente.
Vem com inteligência matinal,
iluminar minhas reflexões.

Reacender a chama do amor,
e me fazer pensar em ti...
Nua,
expressão bela em meus braços.
E minha rigidez que não soçobra,
a procura teu corpo liso,
deleite pra meus mórbidos pensamentos.


Sempre esteve ali, sempre está aqui.
Agora tu se aproxima! Teu coração arde por amor,
e eu apenas deixo-me seduzir, deixo-me seduzir, deixo-me...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vestígios...
























Tá com a mulesta!
Te vejo passar como um soneto poético,
e me inspira a pena. Pena? Hoje eu digito.
Mal pego na caneta. Caneta? Minha mão parece perneta.

Mal caibo em mim mesmo, e penso que não é apenas dormir, trabalhar, divertir.
É ir, e estar além do que posso ver e ouvir.
Voar sem ter asa...
E argumentar com um vernáculo ignorante.

Se não caibo em mim, não é orgulho.
É o imenso vazio, infinito que descortina o véu da alma,
pois sou emoção incontida, loucura repentina.
Vestígio de alegria, som e tristeza, que adorna o véu da alma.

Quando te vejo não crio poema, pois o sentimento emudece,
e a poesia que já está feita, é tu e teu andar romântico,
que desperta a entonação, a canção afinada...

A canção que não consigo cantar está em você.
Razão infinita, que faz o dia não envelhecer,
mesmo sentindo as rugas me aproximarem da certeza funérea,
entoarei jubiloso, a certeza de amar e me sentir infinito.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E o Rock in Rio...








1985. 26 anos se passaram desde a primeira edição do Rock in Rio, e em breve teremos mais uma edição desse festival que marcou o Brasil musicalmente no mundo.


Nostalgicamente, lembro de ver na televisão os jornais passando matérias e alguns especiais que rolaram com os melhores momentos do evento. Tinha apenas 09 anos, estava curtindo férias escolares, com meus primos da capital cearense, que sempre vinham para o interior brincar, e, mesmo sem entender e nem conhecer rock, o que me chamou bastante atenção foram as performances do Queen, AC/DC, Paralamas do Sucesso, Nina Hagen, Iron Maiden, Barão Vermelho, James Taylor, Yes e Scorpions.










Particularmente, com 09 anos, era um garoto que queria ser radical! kkkkkkkkk

Umas performances loucas que realmente marcaram, sendo o sine qua non da coisa, foram os metaleiros, o próprio nome "metaleiro" (alardeado pelo TV Globo, através da jornalista Glória Maria), me marcou bastante... escrevia sempre em meu caderno na escola, desenhando o nome, como uma coisa bem radical.

O Rock in Rio, aconteceu em uma época especial, pois o Brasil havia recentemente saído de uma ditadura que havia se mostrado implacável, e, o rock se mostrou como essencial para que os jovens ousassem no caminho novo a tomar. E daí, surgiram inúmeras bandas, outras conseguiram seu espaço na mídia, o punk e o heavy metal, foram ganhando o underground e o jovem se identificando, através dos fanzines, se discutia rock, poesia, política, sexo...


2011. Um novo Rock in rio está chegando, a expectativa é enorme e, graças a este evento, a atual geração, mesmo que não compreenda, foram de certa forma agraciados direta ou indiretamente, pelo legado desse festival, e se hoje se denominam headbangers e/ou metaleiros, em muito devem as portas que o festival abriu.